Sábado, 12 de Maio de 2007

Exemplo da Obra Do Padre António Vieira

"Vícios da Língua"

 

 

Cuidavam e diziam os sábios antigos que, em diferentes ilha do mundo, reinavam diferentes deidades; que em Creta reinava Júpiter, que em Delfos reinava Apop, que em Samos reinava Juno, que em Chipre reinava Vénus, e assim de outras. Se o império da mentira não fora universal no mundo, pudera se suspeitar que nesta nossa ilha tinha a sua corte a mentira.

Todas as terras, assim como têm particulares estrelas, que geralmente são sujeitas. Fingiram a este propósito os alemães uma galante fábula. Dizem qye quando o diabo caiu do céu, que no ar se fez em pedaços, e que estes vários pedaços se espalharam em várias províncias da Europa, onde ficaram os vícios que nelas reinam.

Dizem que a cabeça do Daibo caiu em Espnha, e por isso somos fumosos, altivos, e com arrogância grave.

Dizem que o peito caiu em Itália e que daui lhes veio serem fabricadores de máquinas, não se darem a entender, e trazerem o coração coberto.

Dizem que o ventre caiu na Alemanha, e que esta é a causa de serem inclinados a gula e gastarem mais do que os outros com a mesa e com a taça.

Dizem que os pés cairam em França, e que daqui nasce serem pouco sossegados, apressados no andar e amigos de ailes.

Dizem que os braços com mãos e unhas crescidas, um caiu na Holanda, outro em Argel, que daí lhes veio (ou nos veio) o serem corsários.

Esta é a substância do apólogo, nem mal formado, nem mal repartido; porque ainda que a aplicação dos vícios totalmente não seja verdadeira, tem contudo a semlehança da verdade, que basta para dar sal a sátira. E suposto que à Espanha lhe coube a cabeça, cuido eu que a parte dela que nos toca ao nosso Portugal, é a língua; ao mesno assim o entendem as nações estrangeiras, que de mais perto nos tratam. Os vícios da língua são tantos que fez Dréxelio um abecedário inteiro, e muito copioso deles. E se as letras do abecedário se repartissem pelos estados de Portugal, que letra tocaria ao nosso Maranhão ?

Não há duvida que o M, M Maranhão, M mumurar, M. Motejar, M maldizer, M. malsinar , M. mexiricar, e sobretudo, M. Metir; mentir com as palavras, mentir com as obras, mentir com os pensamentos, que de todos e por todos os modos aqui se mente. Novelas e novelos são as duas moedas correntes desta terra: mas têm uma diferença, que as novelas armam-se sobre nada, e os novelos armam-se sobre muitos, para ser moeda falsa.

Cuida o homem nobre hoje, que está em altura honrado e amanhã acha-se infamado e envilhecido. Cuida a donzela recolhida, que está em altura de vrituosa, e amanhã acha-se mumurada pelas praças. Cuida o eclesiastico, que está na altura de bom sarcerdote, e amanhã acha-se com reputação de mau homem.

Enfim, um dia estais aqui em uma altura, e ao outro dia noutra, porque os lábios saõ como o astrolábio. E isto assim? A vós mesmos o oiço, que eu não o advinnhei. Vede é certa a minha verdade, que não há verdade no Maranhão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Padre António Vieira toma com exemplos para a sua formação como pregador: Os textos de Santo Agostinho e na Doutrina Cristã

publicado por tron às 19:34
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O Jogo Dos Códigos

Um interessante exemplo para se observar este jogo de códigos é o "Sermão das Lágrimas de S. Pedro" pregado na Segunda-Feira Santa de 1669 na Sé Catedral de Lisboa e partindo duma sugestão de leitura dada por Roland Barthus que aplicou esses sistema primeiramente em Allan Poe e depois na obra do Padre António Vieira, e segundo esse mesmo sistema se podem estabelecer os seguintes códigos:

 

  • código científico: baseado nos "preceitos da exprimentação
  • código retórico: a expriências do dizer e do sugestionamento estético
  • código teológico : expriências religosas consilidadas por uma fé
  • código mítico: um saber transmitido pela literatura duma religião
  • código narrativo: conjunto de relatos, acções contadas, etc.

 

A ideia é verificar como estes códigos actuam na composição da malha textual do sermão indicado e na medida do possível os destacando a astúcia do enunciador em utilizá-los; no caso do "Sermão das Lágrimas de Saõ Pedro" o chamado conceito predicável está publicado no Evangelho segundo São Lucas, capítulo XXII versículos 60 a 62: " o galo cantou. Tendo se voltado o Senhor, olhou para Pedro; Pedro /.../ saiu para fora e chorou amargamente".

A festa religiosa à data da enunciação desse mesmo sermão é a Semana Santa, festa da Paixão de Cristo, dor e sofrimento, choro e lágrimas. O sermão baseia-se no sentido da visão (ver, olhar e chorar) e num personagem actuante: Pedro; o mesmo Pedro que é olhado por Cristo, sai e chora; Olhos de Cristo; olhos de Pedro e lágrimas.

Objectivo do sermão: demonstrar o mecanismo do pecado, pura questão teológica fundamentada pelo texto e justificado pelo saber científico o que comprovará a verdade do texto bíblico. Na verdade , muito mais a verdade da interpretação do que a a verdade do texto e consequentemente, dado o jogo a ser celebrado é o jogo da interpretação.

publicado por tron às 18:50
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Obras Do Padre António Vieira

"Sermões" 1679 a 1748 com 15 volumes

 

 

Livro Anteprimeiro do Futuro, 1718

 

 

 

História do Futuro, 1718

 

 

Defesa Perante O Tribunal do Santo Ofício" , publicada em 1957

 

 

Clavis Phophetarum (Chave dos Profetas) obra incompleta a qual o Padre António Viera dedicou largos anos

 

 

 

 

Não esquecer que entre os vários volumes da obra "Sermões" se encontram as famosas obras:

"Sermão de Santo António aos Peixes "

"Sermão da Sexagésima"

publicado por tron às 18:44
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Padre António Vieira (Vida E Obra)

O Padre António Vieira nasceu em Portugal, mais precisamente na cidade de Lisboa, em 6 de Fevereiro de 1608 e morreu em São Salvador da Bahia em 18 de Julho de 1697. O Padre António Vieira foi para o Brasil com sesu pais quando tinha 6 anos e foi educado no colégio dos Jesuítas, na Bahia; entrou na Companhia de Jesus em 1623 e foi ordenado sarcedote 3 anos depois.

Cedo se tornou no mais popular e influente pregador na colónia e nos seus sermões exortava as várias etenias a juntarem armas contra os invasores holandeses do Brasil (1630/54); tais sermões foram considerados a primeira forma de exprimir a mística brasileira da mistura de sangues.

Além do Tupi-Guarani (dialecto falado pelos índios do litoral), o Padre António Vieira aprendu uma miríade de dialectos amazónicos e também aprendeu a língua kimbundu, falada pelos escravos negros, provineintes de Angola e trazidos para o Brasil. O Padre António Vieira pregou a fé junto dos índios e dos escravos negros até 1641, quando veio à Portugal com a missão de congartular o rei D. João IV pela sua subida ao poder.

O rei-restaurador se encantou logo pela auto-segurança do discurso do Padre António Vieira e também pela sua perosnalidade magnética; o rei gostava tanto do Padre António Vieira que chegou a afirmar que o Padre António Vieira que era "O maior homem do mundo".

D João IV o nomeou tutor do Infante , Confessor Real e membro da corte, mas a sua devoção à coroa durou até a morte de D. João IV em 1656, onde ele fixou o obejctivo em que o rei deveria de inaugurar uma nova idade do ouro próspera e pacífica.

Empreendeu missões diplomáticas na Holanda, França e Itália, mas o seu discurso pela tolerância em relação aos cristãos- novos e a sua veemente negação da cedência do Pernambuco aos holandeses como tributo pela paz lhe granjeou muitos inimigos em relação à sua pessoa, o que provocou a sua fuga para o delta do Amazonas em 1652 onde denuciou o uso dos índios como mão-de-obra escrava o que fez regressar à portugal em 1654.

Durante a sua permanência em Portugal conseguiu que fosse criada uma lei de protecção dos indígenas que criou um monopólio no qual os Jesuítas gorvernavam e ensinavam os índios e regressou em triunfo ao Brasil em 1655 onde continuou a sua obra apostólica no Maranhão e no delta do Amazonas, ruante 6 anos viajou e espalhou a sua mensagem por todo o Brasil ante de ser forçado a regressar à Lisboa em 1661.

Foi preso pela Inquisição por ter profetizado o regresso de D. João IV e esteve detento durante dois anos entre 1665 e 1667, em 1668 foi viver para Roma durante 6 anos onde conseguiu uma tolerância temporária para os cristãos-novos, depois se tornou confidente da raínha Cristina da Suécia e se tornou também membro da Academia real de Letras da Suécia.

Em 1681 regressa à Bahia onde voltou a ser um incansável lutador pela liberdade dos indígenas até a sua morte passados 8 anos e continua a ser considerado um mestre das letras pelos povos-irmãos de ambos os lados do Atlântico português.

Embora nascido no velho mundo e com uma prosa ornamentada com lantinismos ( Vos estis sale terrae - sermão de Santo António aos Peixes) mas essa mesmo prosa nasceu numa imaculada liberdade no novo mundo. Se pode considerara um inovador para a época porque pregava a tolerância racial.

 

publicado por tron às 18:07
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